V
Trago
escondido no peito
Reprimidas vagas lembranças
Da vida esquecida de outrora
Sofrimentos de infância
Sem pai, mãe e família
Senti na alma o medo
Na pele a dor e o desprezo
Vivi nas sobras do mundo
Não tive um lar sossego
Sofri a pena inocente
Sem alegria carente
Passado vago e demente
Tempo incerto de ausência
Perdida flor adolescência
Sem perfume suave e decência
Fui castigada de morte
Vazia de afeto e calor
Sem som imagens e cor
Muito pouco recebi da vida
Carinho cuidados e amor
Ganhei da rua o perigo
Maldade suicídio e dor!
A sorte minha vida mudou
Na maternidade do mundo
Um sonho de infância gerou-me
Vi em meus filhos e livros
O amor que a vida negou-me
Valeu a pena sonhar
Na tristeza acreditar
Que sofrer também e amar
Mas a sorte depende de Deus
A hora e ele quem da
Cabe a nos ir buscar
Com fé e esperança
Sempre confiar
Plantei no peito semente
E vi alegria brota
Em meu ventre gerar
A vontade de ver
Nascer crescer e vencer
A criança adolescente mulher
Liberta de traumas e dor
Na escrita gritar que passou
Meu tempo sofrido deu flores
Os meus filhos o maior presente
Que herdei do Senhor
A essência continua
Do meu primeiro amor
Marlucia Divina da Silva Medeiros

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