Minha
lembrança vagueia
Caminha no espilhôes
Diz que passei dos grilos
Aponta o córrego da caçada
Onde eu vivi no grotão
Cresci no tempo no mato
Sei que morei no sertão
Carreguei lenha nas costas
Pisando a erva daninha
Ha eu capinei a roça
Empurrei a carpideira
Plantei milho mandioca
Cortei o arroz no cacho
Colhi a espiga no talo
Segurei cutelo machado
Torrei a farinha no tacho
Catei o grão da semente
Que a maquina deixou na terra
Levei merenda aos peões
Atravessei matas enfrentei feras
Desci morros subi serras
Atravessei pontes
Equilibrei na pinguela
Sou personagem esquecida
Meu filme não teve tela
Cresci em luta com a vida
Escorreguei na banguela
Levei tombo na eira
Não foi culpa do destino
Se a noite não foi bela
Morri pros sonhos do mundo
Mas ganhei a vida eterna
Carreguei a cruz com cristo
Pra Deus tive alma mais bela
Não ajuntei tesouros
Ganhei a vida eterna
Marlucia Divina da Silva Medeiros

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