Foi cabocla faceira
Menina moça parceira
Canhota burra brejeira
Em vez de nome apelido
Moleca besta cambeta
Olhava o céu de estrelasBeijando a flor de laranjeira
Mas era feliz a pira lha
Desengonçada e feia
Seguia em frente a sonhar
Na timidez do olhar
Cabeça baixa ao falar
Minhoca lerda no andar!
Era chamada de sonsa
Corcunda torta e tonta
Só servia pra lida
Comprava um canto comida
Se vestia igual um homem
Mas tinha pureza em seu nome
O mar lhe matava a fome
Lucia sua companhia
Falava consigo e sabia
Que muito longe ela iria
Levando esperança no peito
Embora só coitada
Não tinha teto morada
Somente os sonhos da mente
Fé e anseios da alma!
Triste cachorro sem dono
De gente não teve nada
Agora o passado esta longe
As lembranças vagueiam seu Sono a faz lembrar que sofreu
Trabalhou e padeceu Na triste sina viveu
Morou em muitas famílias
E nem uma o destino lhe deu!
Mas entre as proezas da vida
A natureza foi terna
Pássaros flores do campo
Enfeitaram os sonhos dela
Teve e o sol e a lua
Em serenata pra ela
Rezou em solo vermelho
Plantou a sua herança
Regou o chão com seu pranto
Viu brotar a esperança
No cheiro das flores e frutos
Formou seu peito criança
Assim viveu nos sonhos da alma
''O seu tempo de criança''
''Nasci numa cabana no meio da mata, numa daquelas choupanas sem paredes, e o telhado de capim encostava-se ao chão dando um formado de triangulo. Adentro a mata, ao som e o cantar dos pássaros, numa constante e harmoniosa orquestra, causada pelo vento e o seu ruído batendo nas folhagens. Bem ali, entre o córrego da caçada e o córrego dos grilos, no Córrego do espilhôes, pelas mãos de uma parteira por apelido Baiana foi que eu nasci! No dia 24/03/60 município de Ituiutaba Minas Gerais, exatamente 10 horas em ponto, numa extrema situação de humildade e pobreza, mas rica em um cenário natural de perfeito e divina beleza.
Marlucia Divina da Silva Madeirtos
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